Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que o pedido de André Mendonça para investigar Alexandre de Moraes acrescenta um novo impasse à crise interna da Corte. A avaliação foi relatada pelo G1 na terça-feira (22), após a apresentação da resposta de Mendonça ao presidente do tribunal, Edson Fachin.
Na manifestação, André Mendonça pediu o arquivamento sumário da representação apresentada por Alexandre de Moraes contra ele. O ministro também solicitou que sejam apurados possíveis crimes de abuso de autoridade e denunciação caluniosa atribuídos ao colega.
A representação de Moraes apontava suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social. Mendonça rejeitou as acusações e afirmou que não houve vazamento de dados nem interferência em negociações de colaboração premiada.
A resposta foi protocolada depois que Edson Fachin retirou o pedido do âmbito do inquérito das fake news e concedeu prazo para Mendonça se manifestar. O documento foi entregue na noite de segunda-feira (21).
Mendonça sustentou que os relatórios da Polícia Federal usados na representação não teriam valor probatório e pediu que o STF reconheça a alegada ilicitude desses documentos. Também solicitou acesso integral ao inquérito das fake news para verificar se existem outros registros relacionados a ele.
O ministro declarou ainda que o material apreendido no caso de Daniel Vorcaro permaneceu lacrado e negou ter direcionado investigações contra Moraes ou contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo Mendonça, as referências aos dois surgiram em relatórios de inteligência, enquanto seus despachos apenas teriam organizado a tramitação dos procedimentos.
O pedido de investigação contra Moraes passa agora a integrar a análise conduzida pela presidência do STF. Conforme o G1, integrantes do tribunal consideram que a iniciativa amplia a dificuldade de uma solução interna para o confronto entre os ministros.
