As chuvas registradas em setembro trouxeram um alívio para o início da safra 2026/27 de soja e milho no Centro-Oeste, mas o cenário em Mato Grosso segue de cautela. Segundo boletim divulgado na última sexta-feira (25) pela EarthDaily, empresa que monitora o campo por satélite, a umidade do solo no estado ainda não recompôs plenamente o déficit hídrico acumulado nos meses anteriores.
De acordo com o levantamento, as precipitações recentes foram insuficientes para uma recuperação total da reserva hídrica em diversas áreas produtoras do estado. O fator mais crítico para a velocidade dessa recomposição é a temperatura elevada, que aumenta a demanda evaporativa e pode frear o processo, mesmo diante de novos volumes de chuva.

O analista de culturas da EarthDaily Felippe Reis explicou a situação:
Se o aumento do calor persistir, aliado a volumes de chuva reduzidos, a maior demanda evaporativa pode frear significativamente a recomposição hídrica, particularmente em Mato Grosso, exacerbando os desafios para os produtores.
As projeções climáticas para o período de 25 de setembro a 2 de outubro mostram divergências entre os principais modelos internacionais. Enquanto o europeu ECMWF aponta precipitação abaixo da média em boa parte do Centro-Oeste, o americano GFS prevê condições mais úmidas em áreas de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Essa falta de uniformidade entre as previsões mantém produtores da região em estado de vigilância quanto ao ritmo do plantio.
Em contraste, Goiás e o Sudeste registram cenário mais favorável, com a umidade do solo já recuperada e nova intensificação de chuvas prevista para o início de outubro, o que deve beneficiar a semeadura e a germinação das lavouras naquelas regiões.
Enquanto a divergência entre os modelos persiste, o acompanhamento das condições do solo segue sendo determinante para o planejamento do plantio da soja em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão.
