A Polícia Civil prendeu em flagrante, na última sexta-feira (9), em Várzea Grande, um jovem de 19 anos suspeito de vender os dados da própria conta bancária para o recebimento de valores obtidos em um golpe aplicado contra um idoso.
Segundo as investigações, a vítima, de 62 anos, foi induzida a fazer um PIX de R$ 50 mil para concluir a compra de um veículo anunciado em uma rede social. O anúncio era falso, e o valor transferido pela vítima caiu na conta do jovem, usada como intermediária pelo esquema.

Após diligências contínuas da Polícia Civil de Mato Grosso, as equipes localizaram o suspeito e efetuaram a prisão. Em depoimento, ele confessou que cedeu os dados da conta por R$ 700 a um homem que anunciava, em um perfil no Facebook, a compra de contas bancárias de terceiros.
A conduta se enquadra no artigo 171 do Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 15.397/2026, que pune quem cede, de forma gratuita ou onerosa, conta bancária para a circulação de recursos que financiem atividade criminosa ou que tenham origem nela. Embora não tenha antecedentes criminais, o suspeito não teve fiança arbitrada e aguarda audiência de custódia.
Sobre o caso, o delegado responsável pela investigação, Ruy Peral, destacou a responsabilidade de quem negocia o acesso à própria conta:
Ceder ou vender conta bancária a terceiros não é um favor nem um negócio inofensivo. É crime. O titular entrega o instrumento que permite ao golpista receber o dinheiro da vítima e pode responder pela fraude, mesmo sem ter aplicado o golpe nem conhecer quem foi lesado. Quem vende a conta se torna parte do esquema.
O caso integra uma série de ocorrências semelhantes registradas em Mato Grosso, nas quais golpistas recrutam terceiros para empréstimo ou venda de contas bancárias usadas na circulação de valores obtidos por fraude. A investigação sobre a origem completa do esquema continua em andamento na delegacia de Várzea Grande.
