Os incêndios em Mato Grosso podem causar prejuízos financeiros aos produtores rurais por até dez anos após a passagem do fogo, segundo o Corpo de Bombeiros do estado. Além de destruir plantações, as queimadas comprometem a qualidade do solo e reduzem a produtividade agrícola a longo prazo.
O coronel Aluísio Metelo Júnior, do Corpo de Bombeiros, explica que os efeitos do fogo vão muito além da perda imediata da colheita:
Quando a passagem do fogo vem em alta intensidade, ela retira os nutrientes do solo. São os custos invisíveis do incêndio. A gente tem o costume de olhar somente o que se perdeu de imediato, mas aquela terra que você preparou para plantar vai perder todos esses nutrientes.

Segundo o coronel, depois que uma área é atingida por queimadas, os produtores precisam realizar uma série de correções no solo antes de voltar a plantar. Alterações no pH e na quantidade de magnésio, por exemplo, empobrecem a terra e comprometem a recuperação da produção. O especialista estima que o solo demora, em média, cinco anos para recuperar parte de sua capacidade produtiva e outros cinco para voltar ao nível de produção anterior ao incêndio.
Aluísio detalha o impacto financeiro para o produtor:
Se antes eu produzia 60 sacas, após o incêndio eu vou produzir dez. Vai demorar mais cinco anos, depois da correção, para que aquele hectare consiga produzir novamente 60. Então, você tem dez anos de prejuízo no bolso do produtor.
Além dos danos à lavoura, o coronel alerta para os riscos à saúde da população. Segundo ele, a fumaça liberada pelas queimadas contém partículas nocivas que podem contaminar o solo e o lençol freático, além de atingir cidades distantes do foco do incêndio, com efeito potencialmente cancerígeno para moradores e para os próprios combatentes das chamas.
O Corpo de Bombeiros reforça que Mato Grosso tem período proibitivo para o uso do fogo em áreas rurais, que precisa ser respeitado pelos produtores, e que, nas áreas urbanas, a prática é vedada durante todo o ano.
