O empresário Odílio Balbinotti Filho, primeiro suplente do senador eleito Zé Medeiros (PL), afirmou, em entrevista ao portal Folha de Mato Grosso publicada neste sábado (17), que a falta de concorrência entre os modais rodoviário e ferroviário encarece o transporte da produção agrícola e reduz a renda dos produtores rurais.
Segundo Balbinotti, o avanço tecnológico elevou a produtividade das lavouras no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste do país, mas a deficiência na infraestrutura logística continua comprometendo os ganhos do setor.
O empresário citou o transporte de soja entre Sorriso e o Porto de Santos, em São Paulo, para ilustrar o peso do frete sobre os custos de produção:
De Sorriso a Santos, hoje, são R$ 30 por saco de soja. Se você pegar um frete ferroviário que realmente é competitivo, nós teríamos uma redução de praticamente R$ 10 por saco de custo para o produtor.

Na avaliação do empresário, a ampliação da concorrência entre os dois modais poderia gerar uma economia de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em recursos que permaneceriam com os produtores rurais. Os valores apresentados são estimativas do próprio empresário e dependem das rotas, dos volumes transportados e das condições de mercado.
Balbinotti citou a Ferrogrão, ferrovia de 933 quilômetros projetada para ligar Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, no Pará, como um dos empreendimentos estratégicos para o escoamento da produção agrícola pelos portos do Arco Norte, e criticou a demora na implantação do projeto. Em março de 2021, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu de forma cautelar a eficácia da legislação que autoriza o empreendimento, no âmbito de uma ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo PSOL. Em maio de 2026, o plenário do STF declarou a norma constitucional, embora a decisão não represente, por si só, a conclusão do licenciamento nem o início das obras.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, apontam que o agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, equivalente a 25,13% do Produto Interno Bruto nacional, após crescimento de 12,2% naquele ano. O levantamento registrou, no entanto, retração de 2,01% no setor no primeiro trimestre de 2026, refletindo queda de preços em diferentes atividades agropecuárias.
Para Balbinotti, o avanço da produtividade no campo precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura capazes de reduzir o custo de transporte da produção até os portos de exportação.
