Joselito Geraldo de Sousa, conhecido em todo o país como Lito Sousa, morreu nesta quinta-feira (1), aos 59 anos, em São Paulo. A informação foi comunicada pela esposa, Mila Seidl, nas redes sociais e confirmada pela assessoria do influenciador.
Lito enfrentava a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), enfermidade neurodegenerativa rara e de rápida evolução, cujo diagnóstico havia sido divulgado pela família em agosto. Ele também tratava um câncer de próstata descoberto meses antes.

A morte causa profunda tristeza na Gazeta da Cidade. Lito não foi apenas um comunicador popular: tornou-se uma presença confiável para quem queria compreender a aviação sem sensacionalismo. Seu jeito didático, bem-humorado e responsável aproximou o conhecimento técnico de milhões de pessoas. À família, aos amigos, aos colegas e à comunidade formada em torno de seu trabalho, manifestamos nossa solidariedade e nosso pesar.
“Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, escreveu Mila Seidl ao anunciar a morte do marido.
Da manutenção de aeronaves à comunicação
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 25 de janeiro de 1967, Lito cresceu em uma família de poucos recursos. Ainda jovem, pretendia trabalhar com navios, mas as condições financeiras o afastaram da Escola Naval. No ensino médio, escolheu a formação técnica em manutenção de aeronaves e relatava ter se apaixonado pela aviação logo no primeiro dia de curso.
A carreira profissional passou pela Base Aérea de Santos e por empresas como Varig e United Airlines. Aos 26 anos, foi para o então Zaire — atual República Democrática do Congo — com a missão de treinar mecânicos locais após a venda de aeronaves da Varig. A experiência africana inspirou o livro Onde Morrem os Aviões, no qual reuniu episódios vividos em condições difíceis de operação aérea.
Aviões e Músicas
No início dos anos 2000, Lito criou o blog Aviões e Músicas, inicialmente reunindo textos sobre aviação e sua outra paixão, a música. O projeto migrou para o YouTube e se transformou em uma das maiores referências do segmento no Brasil, com mais de 4 milhões de inscritos no canal e milhões de seguidores nas diferentes redes sociais.
Com explicações diretas e cuidadosas, ele analisava acidentes, esclarecia procedimentos de segurança e desmontava mitos sobre voos. O bordão “turbulência não derruba avião” sintetizou parte dessa missão: substituir o medo pelo conhecimento. O trabalho alcançou especialmente pessoas com aerofobia e deu origem a conteúdos específicos para ajudá-las a viajar com mais segurança emocional.
Foi justamente esse trabalho que aproximou Lito de Mila. Ela encontrou o blog em 2014 enquanto buscava superar o medo de voar. O primeiro contato entre os dois foi uma conversa por vídeo de mais de três horas, durante a qual ele explicou o funcionamento das aeronaves e procurou tranquilizá-la.
Doença rara e mobilização
Em julho, Lito revelou o diagnóstico de câncer de próstata, identificado em exames de rotina. No mês seguinte, a família informou que ele também havia sido diagnosticado com DCJ, doença causada por alterações em proteínas chamadas príons e que pode comprometer memória, comportamento e movimentos.
Seguidores, instituições e autoridades participaram de uma mobilização para buscar alternativas experimentais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em caráter excepcional, a importação do composto experimental ALN-6457, administrado no Hospital Israelita Albert Einstein por meio de um programa de uso compassivo. A substância ainda estava em fase pré-clínica, sem eficácia comprovada.
O legado de Lito permanece em milhares de vídeos, textos, entrevistas e, sobretudo, nas pessoas que passaram a compreender melhor a aviação e encontraram coragem para entrar em um avião. Para uma geração de brasileiros, sua voz ficará associada à curiosidade, à serenidade diante do medo e à certeza de que o conhecimento pode tornar qualquer viagem menos assustadora.
