O consumo de tabaco, em suas diversas formas, continua a ser um grande desafio para a saúde pública mundial. Embora o cigarro tradicional seja o mais conhecido, o aumento do uso de cigarros eletrônicos, palheiro e narguilé — principalmente entre os jovens — levanta dúvidas sobre os diferentes níveis de risco.
Sabendo disso, a equipe da Gazeta da Manhã decidiu analisar o impacto de cada uma dessas alternativas e comparar os dados mais recentes de doenças e mortes associadas ao uso. Confira.
A “Alternativa” Perigosa
O cigarro eletrônico, ou vape, surgiu como uma alternativa que prometia ser menos prejudicial que o cigarro convencional. Entretanto, o crescente corpo de evidências médicas aponta para riscos consideráveis.
De acordo com dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o uso de cigarros eletrônicos pode levar a doenças pulmonares graves, como a EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos). A epidemia de EVALI em 2019, nos Estados Unidos, resultou em mais de 2.800 hospitalizações e 68 mortes. Além disso, um estudo de 2023 da Global Youth Tobacco Survey apontou que mais de 20% dos jovens entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico.
Em termos de doenças relacionadas, embora o cigarro eletrônico não libere as mesmas substâncias cancerígenas que o cigarro convencional, a exposição prolongada à nicotina líquida e a outros componentes voláteis pode causar irritação nas vias respiratórias e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.
O Campeão de Mortes
O cigarro tradicional continua a ser o maior vilão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas anualmente, sendo que cerca de 1,2 milhão dessas mortes são de não-fumantes expostos ao fumo passivo. Entre as doenças mais comuns estão câncer de pulmão, enfisema, doenças cardíacas e derrame.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o tabagismo é responsável por 156 mil mortes anuais. Além disso, aproximadamente 90% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente relacionados ao uso do cigarro tradicional. O cigarro também contribui significativamente para doenças respiratórias e cardíacas crônicas.
Natural, mas Não Inocente
O palheiro, popular em regiões rurais do Brasil, é frequentemente percebido como uma opção mais “natural” e, portanto, menos perigosa. No entanto, essa percepção é equivocada. Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indicam que o palheiro contém níveis elevados de nicotina e alcatrão, substâncias responsáveis por grande parte dos danos à saúde causados pelo cigarro tradicional.
Os riscos do palheiro são semelhantes aos do cigarro industrializado. A exposição prolongada ao palheiro pode aumentar o risco de câncer de pulmão, enfisema e doenças cardíacas. Embora muitos consumidores acreditem que a ausência de aditivos químicos torne o palheiro menos prejudicial, a combustão do tabaco gera as mesmas substâncias tóxicas, e o risco para a saúde é substancial.
A Ilusão do “Inofensivo”
O narguilé, ou cachimbo d’água, tem se tornado cada vez mais popular, especialmente em ambientes sociais e entre jovens adultos. Muitas pessoas acreditam que o uso do narguilé é menos prejudicial, já que o tabaco passa pela água antes de ser inalado. No entanto, essa percepção é incorreta.
De acordo com a OMS, uma sessão de narguilé pode expor o usuário a uma quantidade de fumaça equivalente a fumar mais de 100 cigarros. Além disso, o tabaco usado no narguilé contém nicotina, alcatrão e outras substâncias tóxicas que causam câncer e doenças respiratórias. Um estudo publicado em 2023 pela American Lung Association mostrou que o uso regular de narguilé está associado a um risco elevado de câncer de pulmão, doenças cardíacas e bronquite crônica.
Doenças, Cânceres e Mortes
A seguir, uma comparação dos principais tipos de cigarro em relação aos danos causados à saúde, utilizando dados recentes:
Esses números ilustram o impacto devastador de todas as formas de tabaco. Embora cada tipo de cigarro tenha variações em termos de compostos e exposição, todos representam um risco significativo para a saúde, levando a doenças graves e mortes.
| Tipo de Cigarro | Mortes Anuais Globais Estimadas | Doenças Principais | Cânceres Associados |
|---|---|---|---|
| Cigarro Tradicional | 8 milhões | Câncer de pulmão, doenças cardíacas, enfisema | Pulmão, boca, esôfago |
| Cigarro Eletrônico | Estimativa em desenvolvimento | EVALI, doenças respiratórias, problemas cardíacos | Risco menor de câncer, mas presente |
| Palheiro | Estimativa próxima ao cigarro tradicional | Doenças respiratórias e cardiovasculares | Pulmão, boca, esôfago |
| Narguilé | Equivalente a 100 cigarros por sessão | Câncer de pulmão, bronquite crônica, doenças cardíacas | Pulmão, boca, bexiga |
Todos são perigosos
Apesar das diferenças na forma de consumo e nas substâncias emitidas, tanto o cigarro tradicional, o cigarro eletrônico, o palheiro e o narguilé carregam riscos sérios à saúde. O cigarro tradicional e o palheiro são, sem dúvida, os maiores causadores de mortes relacionadas ao tabagismo, mas o cigarro eletrônico e o narguilé, muitas vezes percebidos como “mais seguros”, não devem ser ignorados.
Nenhuma forma de tabagismo é segura, e o melhor caminho para preservar a saúde é evitar o uso de qualquer um desses produtos. As evidências científicas são claras: a exposição ao tabaco e à nicotina, independentemente do método, pode levar a doenças graves e até à morte.
