O ex-prefeito de Sinop Nilson Leitão (PP) recebeu 61.904 votos para deputado federal nas eleições de domingo (4), mas não conquistou uma cadeira na Câmara. Mesmo com votação superior à de candidatos eleitos, ele terminou como suplente.
Coronel Cesar Roveri (Podemos), ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, foi eleito com 47.195 votos. A diferença nominal entre os dois candidatos foi de 14.709 votos a favor de Leitão.

A situação decorre do sistema proporcional, utilizado nas eleições para a Câmara dos Deputados e para as assembleias legislativas. Diferentemente das disputas para governador e senador, as vagas não são preenchidas apenas pelos candidatos mais votados individualmente.
Primeiro, a Justiça Eleitoral considera todos os votos nominais e de legenda obtidos por cada partido ou federação. O resultado coletivo determina quantas das oito cadeiras de Mato Grosso caberão a cada grupo político, mediante cálculos que envolvem o quociente eleitoral, o quociente partidário e a distribuição das sobras.
Leitão concorreu pelo PP, integrante da Federação União Progressista. O grupo conquistou duas vagas, ocupadas por Fábio Garcia (União), com 139.777 votos, e Virginia Mendes (União), com 102.120. Como Leitão ficou atrás de ambos dentro da própria federação, passou à suplência.
O Podemos conquistou uma cadeira. Roveri, com 47.195 votos, foi o candidato mais votado da legenda, à frente de Fernando Gorgen, que somou 40.641. Por isso, ficou com a vaga obtida pelo partido.
Na classificação geral da votação nominal, Leitão ocupou a oitava posição. Roveri apareceu em 11º. Entre eles estavam Irajá Lacerda (PSD), com 57.887 votos, e Emanuelzinho (PSD), com 50.951, também não eleitos.
Com 100% das 8.287 seções contabilizadas, o resultado exemplifica por que estar entre os oito candidatos individualmente mais votados não garante eleição. A definição depende simultaneamente do desempenho pessoal e da votação total da legenda ou federação, conforme as regras da Justiça Eleitoral.
