Mato Grosso exportou 90,12 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026, volume 24,42% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado é o maior para os nove primeiros meses do ano desde 2017, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado nesta semana.
Parte do avanço está relacionada à recuperação dos embarques após as restrições impostas ao comércio brasileiro de carne de frango em 2025, quando casos de gripe aviária levaram à suspensão temporária das compras por mercados internacionais entre maio e agosto daquele ano. A redução das exportações no período ampliou a diferença observada na comparação com os números deste ano.

O cenário internacional também trouxe desafios ao setor. Desde março de 2026, o conflito entre Estados Unidos e Irã afeta a circulação de embarcações pelo estreito de Ormuz, dificultando o fluxo comercial com países do Oriente Médio, entre eles os Emirados Árabes Unidos, segundo mercado de destino da carne de frango mato-grossense em 2025.
Segundo Felipe Andrade, responsável pelo acompanhamento dos setores de leite, aves e suínos no Imea, o ritmo das exportações permanece positivo mesmo diante das limitações no comércio com a região. A Arábia Saudita liderou as compras de carne de frango de Mato Grosso nos nove primeiros meses de 2026, com 27,34 mil toneladas, seguida pelo mercado formado por Hong Kong e China, com 10,77 mil toneladas, e pelos Emirados Árabes Unidos, com 10,37 mil toneladas.
O desempenho acompanha o crescimento das vendas externas brasileiras do produto em outubro: nos sete primeiros dias úteis do mês, o faturamento médio diário somou US$ 53 milhões, alta de 46,84% em relação à média de outubro de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Imea. Na região de Nova Mutum, o avicultor Paulo André Zen mantém dois núcleos de produção com capacidade para alojar cerca de 140 mil frangos por lote, em ciclos que duram entre 40 e 42 dias.
As exportações enfrentam ainda restrições pontuais: o México suspendeu as compras de produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, mas a participação mexicana nas vendas de Mato Grosso é limitada, de 1,59% do total exportado entre janeiro e setembro. Não há registros da doença em território mato-grossense, e o Sistema Famato reforça a importância da vigilância sanitária nas propriedades rurais para preservar o acesso aos mercados internacionais.
