A disparada do dólar frente ao real impulsionou os preços da soja no Brasil nesta segunda-feira (26), mas a intensa volatilidade cambial e a pressão da Bolsa de Chicago (CBOT) limitaram a comercialização e deixaram traders e produtores de Mato Grosso, maior estado produtor do grão, em compasso de espera.
O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 8,41%, cotado a R$ 5,4098 para venda, com mínima intradiária de R$ 5,3928 e máxima de R$ 5,6048. O movimento teve relação com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que injetou nervosismo nos mercados financeiros e elevou a procura pela moeda norte-americana.

O mercado físico de soja iniciou a semana com cotações em alta na maioria das praças, reflexo direto da valorização cambial. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os movimentos acentuados do câmbio dificultaram a formação de preços, resultando em indicações nominais e em volumes efetivamente negociados abaixo do esperado.
Apesar de ofertas reportadas em portos chegando a R$ 160,00 por saca, não houve sinal de volumes expressivos sendo negociados. Parte dos produtores aproveitou a valorização do dólar para fechar contratos atrelados à moeda, sobretudo para a safra nova, mas a comercialização da safra atual permanece restrita, com o foco ainda voltado aos trabalhos de plantio em Mato Grosso e com muitos vendedores preferindo aguardar uma redução da volatilidade para definir suas estratégias.
Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago fecharam em baixa na mesma sessão. A combinação de uma forte desvalorização do real, que tende a impulsionar a demanda por soja brasileira no exterior, com o avanço da colheita recorde nos Estados Unidos, que aumenta a oferta global, voltou a pressionar as cotações internacionais.
Produtores e traders de Mato Grosso devem monitorar nos próximos dias a evolução do câmbio, o andamento da colheita norte-americana e os dados de exportação para identificar novas janelas de comercialização da soja.
