A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) discute uma estratégia para ampliar exportações para a União Europeia e atrair investimentos para Mato Grosso. A proposta prevê preparação para exigências sanitárias e comerciais, formação técnica e aproximação com empresas e instituições italianas.
A agenda foi debatida em reunião com a Câmara de Comércio Italiana em Cuiabá (Italcam), com representantes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e da unidade setorial da Procuradoria-Geral do Estado junto à Sedec. A Itália já mantém relação comercial relevante com o estado: no ano passado, as exportações mato-grossenses ao país superaram US$ 360 milhões, principalmente em soja, carne bovina congelada e milho.

Considerando todos os destinos internacionais, Mato Grosso exportou US$ 26,5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, crescimento de 16,9% sobre o mesmo período do ano anterior. O mercado europeu se destaca pela remuneração da carne bovina: em fevereiro deste ano, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.082,14 por tonelada do produto exportado por Mato Grosso, valor acima do praticado por mercados tradicionais, como a China, segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Para o procurador do Estado Diego Marques Santana Miyoshi, que representou a Sedec na reunião, aproveitar as oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia exige preparação das empresas e integração entre os órgãos públicos:
A redução tarifária não produz, por si só, acesso automático ao mercado europeu. A preferência comercial depende, portanto, de capacidade institucional e empresarial para comprovar origem, sanidade, rastreabilidade, regularidade ambiental, certificação e conformidade documental.
Está em discussão a criação de uma comissão permanente estadual, que poderá mapear exigências por cadeia produtiva e coordenar ações para enfrentar obstáculos às exportações, com atenção inicial aos produtos de origem animal. Outra frente é o projeto Eumerc, que prevê cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e as universidades italianas Roma Tre e Siena, com estudos, cursos e seminários voltados a empresas e instituições sobre as regras do acordo.
Segundo Miyoshi, a aproximação com a Itália também busca ampliar o processamento da produção em Mato Grosso, com oportunidades de investimento em agroindústria, bioenergia, máquinas e equipamentos e alimentos processados.
